No último sábado, as mulheres do Coletivo Periferia Feminista e do Planta Sonhos participaram de uma visita educativa em Gravataí-RS, junto ao barco-escola do projeto Rio Limpo e visitaram a florestaria Tarumim.
Foi um momento muito especial de troca com esses grupos que trabalham em conjunto com a terra e o rio, e transformam uma área que antes era degradada em um solo muito fértil. Conhecer a agrofloresta nos mostrou a beleza em produzir alimento em meio à pluralidade que enriquece o solo, num lugar onde podemos perceber a conexão do campo com o prato e da agricultura com a cozinha.
Nessa tarde muito divertida e cheia de aprendizados, ouvimos histórias a partir do Rio Gravataí e dos biomas Pampa e Mata Atlântica que o abraçam. Também pensamos sobre os cuidados com a natureza ao redor e com nós mesmas, regadas aos lanches deliciosos e saudáveis.
Teve até cantoria no barco e as crianças foram as que mais se divertiram! Elas puderam entrar em contato com uma cidade vizinha da nossa e aprender sobre as vidas animais, vegetais e minerais que habitam o local.
A visita-guiada nos convidou a pensar como essas águas ao redor se moldam com as tomadas de decisões nas políticas públicas de abastecimento onde moramos. Também, como isso gera a falta de água na periferia urbana, como no Morro da Cruz.
Foi muito interessante vislumbrar um rio que capta água com qualidade para beber, o que não acontece em lugares da periferia. Em meio à abundância em certos locais, em territórios da periferia de Porto Alegre as águas frequentemente não chegam. Aliás, dois dias depois da saída de campo pelo rio Gravataí, ficamos o dia todo sem água no Morro da Cruz e, por isso, nem almoço podemos servir na Cozinha Solidária Periferia Feminista.
O projeto que temos com o Fundo Casa – com o nome ‘Ancestralidade como caminho: tecer e regenerar a vida coletiva com as mulheres do Morro da Cruz’ – nos permite pensar como a mudança climática sobe o Morro. Junto com isso, também nos permite organizar momentos de intercâmbio com outros espaços, pensar como as águas, que são um bem-comum essencial para as nossas vidas, às vezes se viram para a morte como nas enchentes dois anos atrás.
Como as companheiras do MAB afirmam: queremos águas para a vida, não para a morte. Em meio a essas contradições, buscamos perceber os caminhos que as águas precisam levar para chegar em nossas casas.
Aliás, o caminho para isso acontecer não é qualquer um: as águas precisam de um lugar em que o Pampa e a Mata Atlântica se encontram, em que a mata ciliar está preservada, onde os bichos estão ali vivendo bem e onde a agricultura vislumbra a proteção ambiental e a promoção da biodiversidade.
Agradecemos ao Fundo Casa pelo apoio!
Como dizia Ana Primavesi: queremos um solo sadio, para uma natureza sadia, para seres humanos sadios!




